domingo, 2 de novembro de 2025

 


PROJETO SER MAIS:  25 anos  de  amor e Serviço, transformando
Vidas!

Há vinte e cinco inspirado no amor, fé e coragem que brotou do coração generoso de Santa Benedita Cambiagio que acreditava que servir ao próximo é o caminho mais bonito que alguém pode escolher iniciou-se uma trajetória marcada pela dedicação à vida, à solidariedade e à transformação social.

Desde o início, o PROJETO SER MAIS, abraçou com ternura uma causa nobre: acolher crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade, oferecendo não apenas assistência, mas oportunidades reais de crescimento e dignidade. São anos de trabalho contínuo, enfrentando desafios, vencendo barreiras e celebrando conquistas que nasceram do compromisso de uma equipe que acredita no poder do amor.

O que começou pequeno, cresceu e se consolidou como referência de cuidado, acolhimento e transformação nas regiões onde estão locadas. Cada criança/adolescente encontra não apenas um espaço físico, mas um lar de afeto, escuta e esperança. Com as nossas atividades descobrem novos caminhos, conseguem sonhar novos sonhos e perceber que o futuro pode ser diferente quando há quem acredite e estende a mão.

A missão deixada por nossa fundadora continua viva em cada gesto de solidariedade, em cada sorriso acolhido e em cada ação realizada. Amar e servir ao próximo nunca foi apenas uma frase bonita. É um princípio que orienta o nosso trabalho diário.

Ao longo desses 25 anos, a instituição se tornou um verdadeiro espaço de convivência e cidadania. Foram criados projetos que promovem o fortalecimento de vínculos familiares, o desenvolvimento de habilidades, o acesso à cultura, à educação e ao esporte. Mais do que números e relatórios, nossa história é feita de pessoas. De vidas que se cruzaram, de histórias que se transformaram e de laços que permanecem.

Celebrar 25 anos é olhar para trás com gratidão e para frente com esperança. É reconhecer o esforço de todos que contribuem para que este projeto se mantenha firme, mesmo diante das dificuldades. É também reafirmar o compromisso de continuar lutando por um mundo mais justo, onde cada criança e adolescente tenha o direito de ser ouvido, respeitado e amado.

A fundadora, com seu exemplo de vida, ensinou que o verdadeiro sentido do trabalho social está em servir com alegria, enxergar no outro a própria humanidade e fazer o bem sem esperar nada em troca. Sua missão continua sendo o alicerce que sustenta cada nova etapa desta caminhada.

Hoje, ao completar 25 anos, celebramos não apenas o tempo, mas o legado. Um legado que inspira, transforma e nos lembra que a solidariedade é a maior força de transformação que existe. Seguimos firmes na missão: amar e servir ao próximo, levando luz, dignidade e esperança a quem mais precisa. E que assim continue sendo, hoje e sempre.

 

 

“CONTEMPLAÇÃO 


Nossa palavra “contemplação” vem do latim cum+templare e recorda que, no tempo dos romanos, os sacerdotes se colocavam dentro do templo, numa situação de envolvimento com (cum) o seu ambiente, para descobrir a vontade dos deuses nos seus auspícios ou augúrios, relacionados com o vôo dos pássaros (auis, mais tarde lido avis) que conseguiam observar pela abertura no teto do templo. Isso pressupunha e favorecia um olhar concentrado e uma busca do sentido divino. Até hoje usamos contemplar para significar um olhar concentrado, por exemplo, na observação de uma flor. E dizemos, também, por exemplo, que um regulamento “contempla” determinada situação, isto é, concentra-se nela, ou a considera. Considerar vem de observar o conjunto (cum) dos astros (sídera) para descobrir uma direção.

O sentido mais estrito de contemplação refere-se a um olhar atento que descobre Deus na presença de suas ações e de suas obras.

Ao pé da letra, contemplar não é orar (de os, oris = boca), nem rezar (de recitare: ler alto ou repetir um texto escrito), mas é um relacionamento excelente com Deus, a quem nós ficamos observando, descobrindo, saboreando. Podemos fazer exercícios de contemplação, mas viver a contemplação é ter essa inclinação para “ver Deus” nos seres e nos acontecimentos.

São Francisco, cujo desejo ardente e apaixonado era ver Deus, a quem descobria em Jesus Cristo, parece ter sido um dos maiores contemplativos da história da humanidade. Aliás, é bom lembrar que todo ser humano tem por natureza o desejo de ver se Deus existe mesmo, de observar onde Ele se encontra ou como Ele vem a nós, ou como podemos nos encontrar com Ele. Mas São Francisco não nos deixou nenhum texto ensinando-nos a contemplar.

Foi através da contemplação que os santos, como Santa Benedita,  se encontraram com o Cristo Esposo e se transformaram nele. Foi um “processo de cristificação”, que precisamos entender melhor.

Santa Benedita era uma contemplativa, que sabia viver intensamente na união com Cristo no meio das atividades de cada dia. Por isso  era contemplativa na ação!

“Com o desejo de imitá-la, olhe, considere, contemple o   esposo, o mais belo entre os filhos dos homens (Sl 44,3) feito por sua salvação o mais vil de todos, desprezado, ferido e tão flagelado em todo o corpo, morrendo no meio das angústias próprias da cruz. Se você sofrer com ele, com ele vai reinar; se chorar com ele, com ele vai se alegrar; se morrer com ele (cf. 2Tm 2,11.12; Rm 8,17) na cruz da tribulação vai ter com ele mansão celeste nos esplendores dos santos (Sl 109,3). E seu nome, glorioso entre os homens, será inscrito no livro da vida (Sl 109,3). Assim, em vez dos bens terrenos e transitórios, você vai ter parte na glória do reino celeste eternamente, para sempre, vai ter bens eternos em vez dos perecíveis, e viverá pelos séculos dos séculos”.

Benedita  condiciona a contemplação a um desejo de imitar Jesus, de seguilo. Mas já o trata como um esposo querido e manda considerar o amor que Ele demonstrou quando sofreu por nós. E mostra que essa contemplação vai trazer uma mudança muito grande à nossa vida, com consequências para os tempos sem fim.

Nesse trecho, ela fala do que acontece com quem chega à união com Jesus.  A importância da contemplação do Cristo kenótico e de uma transformação trabalhada nele.

Esse seguimento de Cristo kenótico = esvaziado a ponto de ser encontrado como um servo – é um elemento importante para explicar o despojamento total de nos mesmas.

 

A oração nos transforma, nos transforma na imagem da Divindade, em um outro Cristo. Quem transforma é Deus, mas contemplar é expor-se à transformação ao olhar de maneira concentrada para Deus (a eternidade, a glória, a substância divina) através de Jesus que põe Deus ao nosso alcance sendo um espelho, um esplendor, uma figura da Divindade. É por causa da transformação – afinal das contas, no único Cristo, porque não há mais do que um – que a contempladora saboreia a doçura escondida. O núcleo do olhar contemplativo  está em se colocar inteira diante de Cristo Esposo até ser transformada nele. É importante observar que a contemplação une ao Esposo, leva ao prazer de partilhar a visão e o amor com o Esposo.

 

 

 

 “Feliz, decerto, é você, que pode participar desse banquete sagrado para unir-se com todas as fibras do coração àquele cuja beleza todos os batalhões bem-aventurados dos céus admiram sem cessar, cuja afeição apaixona, cuja contemplação restaura, cuja bondade nos sacia, cuja suavidade preenche, cuja lembrança ilumina suavemente, cujo perfume dará vida aos mortos, cuja visão gloriosa tornará felizes todos os cidadãos da celeste Jerusalém, pois é o esplendor da glória eterna, o brilho da luz perpétua e o espelho sem mancha (4CtIn 9-14)”.

Neste trecho, aparece outro ponto original da contemplação de Santa Clara: é uma contemplação que transborda de gratidão, a gratidão por chegar a ser unida a Deus, que nos encanta, nos apaixona, restaura, sacia, dá vida, justamente em Jesus, que é seu espelho.

No texto seguinte, Clara desenvolve o que tinha dito no anterior: Jesus é o espelho. Mas ela se espelha nele, ela pode perceber o que falta para ser como ele, é arrastada pelas virtudes pessoais de Jesus. E usando uma linguagem própria do Cântico dos Cânticos, mostra como se revestir de Cristo, do Homem novo.

“Olhe dentro desse espelho todos os dias, ó rainha, esposa de Jesus Cristo, e espelhe nele, sem cessar, o seu rosto, para enfeitar-se toda, interior e exteriormente, vestida e cingida de variedade, ornada também com as flores e roupas das virtudes todas, ó filha e esposa caríssima do sumo Rei. Pois nesse espelho resplandecem a bem-aventurada pobreza, a santa humildade e a inefável caridade, como, nele inteiro, você vai poder contemplar com a graça de Deus.

Preste atenção no princípio do espelho: a pobreza daquele que, envolto em panos, foi posto no presépio! Admirável humildade, estupenda pobreza! O Rei dos anjos repousa numa manjedoura. No meio do espelho, considere a humildade, ou pelo menos a bem-aventurada pobreza, as fadigas sem conta e as penas que suportou pela redenção do gênero humano. E, no fim desse mesmo espelho, contemple a caridade inefável com que quis padecer no lenho da cruz e nela morrer a morte mais vergonhosa (4CtIn 15-23)”.

Ao considerar os momentos mais importantes da vida de Jesus na carne – do presépio até a cruz –, Clara insiste em outro ponto original: sua contemplação é um processo constante, em que a pessoa trabalha com alegria para ser semelhante a Cristo, ou para amar a semelhança que Ele realiza em nós.

Na parte final desse mesmo texto, usando apaixonadamente diversas alusões do Cântico dos Cânticos, Clara chega a pedir “o beijo mais feliz de tua boca”, aquele que, como ensinou São Bernardo, é o próprio Espírito Santo passando entre o beijo dela e o beijo de Jesus como o Espírito Santo é o beijo de amor entre o Pai e o Filho:

“Além disso, contemplando suas indizíveis delícias, riquezas e honras perpétuas, proclame, suspirando com tamanho desejo do coração e tanto amor: Arrasta-me atrás de ti! Corramos no odor dos teus bálsamos (Ct 1,3), ó esposo celeste! Vou correr sem desfalecer, até me introduzires na tua adega (Ct 2,4), até que tua esquerda esteja sob a minha cabeça, sua direita me abrace toda feliz (Ct 2,6), e me dês o beijo mais feliz de tua boca (Ct 1,1) (4CtIn 28-32)”.

É claro que o importante nem é fazer exercícios de contemplação: é estar unido ao Esposo, é ter descoberto e realizado todas as sedes do nosso ser humano. É já ser a esposa que clama com o Espírito, que ela já incorporou totalmente: “Vem, Senhor Jesus, vem!”

Na despedida dessa última carta, ela sublinha o aspecto fundamental da amizade e do amor entre as Irmãs, entre nós todos: nós nos encontramos em profundidade quando nos perdemos na mesma contemplação, na mesma busca de Jesus.

“Posta nessa contemplação, lembre-se de sua mãe pobrezinha, sabendo que eu gravei sua feliz recordação de maneira indelével no meu coração porque você, para mim, é a mais querida de todas” (4CtIn 33-34).

Quem se une ao Esposo na contemplação está construindo sua união com todas as demais pessoas. E a contemplação do Esposo se expressa na capacidade de enxergá-lo nas outras pessoas. E cada pessoa é tanto mais querida quanto mais for possível encontrá-la unida ao Esposo. Por isso, Francisco e Inês de Praga são os maiores amores de Clara.

Características – A contemplação  – na perspectiva esponsal – é de caráter afetivo. Mas, é preciso sublinhar alguns pontos bem específicos: a). é dominada pela gratidão. b). segue um processo de fidelidade. c). transforma na imagem viva de Deus. d). abre-se para a fraternidade e para a Igreja.   Adaptado ( I. M D. P )