sábado, 21 de março de 2026

 

Santa Benedita

 


Benedita nasce em Langasco (Genova – Itália) no dia 2 de outubro de 1791. Os pais dela são: José e Francisca Guiglione e é batizada dois dias depois.

Ainda menina a família se muda para outra cidade: Pavia.

Recebe dos pais uma profunda educação cristã que enraízam nela os princípios da fé, formando assim um caráter forte e perseverante.

Perto dos vinte anos vive uma experiência interior muito forte que a leva a uma vida intensa de oração e penitência e sente o desejo de abandonar tudo para se consagrar inteiramente a Deus. O caminho de Benedita á procura da vontade de Deus é bastante difícil, desejosa como é interiormente por uma dedicação a Deus desde a adolescência.

Em 7 de fevereiro de 1816 casa-se com João Batista Frassinello. Vivem no matrimônio dois anos; e depois de comum acordo fazem voto de castidade ante o Bispo e começam a viver como irmãos, num clima de espiritualidade e caridade para o próximo.

Benedita e João experimentam então uma maternidade e paternidade espirituais, na fidelidade ao amor conjugal sublimado.

Em 1825, com autorização do diretor espiritual, João Batista Frassinello entra na comunidade religiosa dos Somascos e Benedita na comunidade das Imãs Orsolinas.

No ano de 1826 por problemas de saúde, Benedita retorna a Pavia. Sarada milagrosamente por S. Girolamo Emiliani, começa a se ocupar das jovens e crianças com a aprovação do bispo D. Luis Tosi. Precisando de ajuda, e acontecendo que a família não ajuda ela, o bispo chama de volta o marido João Batista; ele deixa o noviciado e retorna para a esposa-irmã; renovam juntos o voto de castidade perfeita nas mãos do bispo. Os dois se dedicam generosamente na acolhida e na educação humana e cristã das jovens e crianças pobres e abandonadas. A obra de Benedita se introduz na vida social de Pavia num período no qual a instituição escolar é acolhida como uma verdadeira colaboradora para o bem da sociedade.

É a primeira mulher da cidade a advertir a necessidade da educação feminina e o governo austríaco reconheceu e deu para ela o titulo de “Promotora de Publica Educação”.

Ajudada por algumas jovens e voluntárias, para as quais prepara um estatuto aprovado pelas Autoridades Eclesiásticas, une ao ensinamento escolar a formação catequética e o trabalho. São estas as “armas” das quais se serve para transformar as jovens e crianças em modelos de vida e assegurar desse modo a verdadeira formação das jovens e crianças.

Por amor das jovens e crianças esta disposta a qualquer sacrifício: pessoal ou dos bens materiais, até da fama, mostrando assim a incomparável grandeza da “pedagogia do Evangelho”.

A particularidade da Obra e o programa educativo de Benedita são duramente criticados pela oposição de alguns poderosos, que se sentem contrariados por torpes desejos e também pela incompreensão de algumas pessoas do próprio clero.

Em julho de 1838 Benedita cede a sua Instituição ao Bispo Luis Tosi e com o marido e cinco irmãs deixa Pavia e muda para Ligúria, outra região da Itália.

Em Ronco Scrivia, cidade natal de João Batista, inicia uma outra escola para jovens e funda a Congregação das “Irmãs Beneditinas da Providência” para as quais escreve as Regras – Constituições. As mesmas revelam o desenvolvimento do seu carisma, estendendo a todas as jovens e crianças a educação, a instrução e a formação cristã com o inconfundível espírito de ILIMITADA CONFIANÇA E ABANDONO NA DIVINA PROVIDENCIA, de amor a Deus através da pobreza e a caridade.

O Instituto das Irmãs Beneditinas da Providência desenvolve-se rapidamente. Em 1847 também em Voguera. Esta obra, 40 anos depois da morte da Benedita por iniciativa do Bispo, vira um instituto independente. Nesta circunstância as irmãs assumem o nome de “Irmãs Beneditinas da Divina Providência” em memória da fundadora delas, Benedita Cambiagio.

Em 1851 Benedita retorna a Pavia.

Em 1857 abre uma escola na cidade de Valpolcevera chamada S. Quirico.

No dia 21 de março de 1858, Benedita morre santamente em Ronco Scrivia, no dia e hora por ela prevista. Ao redor dela acorrem um grande número de pessoas para uma última manifestação de estima e chorar a aquela que consideravam uma Santa.

Em toda sua vida, ela se deixou conduzir pelo Espírito Santo, através de várias experiências pessoais. Embora sua luta fosse grande, nunca esmoreceu diante das dificuldades, seguindo sempre seu desejo de servir à Humanidade e a Deus. Foi beatificada em 1987 e canonizada em 2000, pelo Papa João Paulo II, que transferiu a festa de Santa Benedita Cambiagio Frassinello para o dia 10 de Maio.

domingo, 2 de novembro de 2025

 


PROJETO SER MAIS:  25 anos  de  amor e Serviço, transformando
Vidas!

Há vinte e cinco inspirado no amor, fé e coragem que brotou do coração generoso de Santa Benedita Cambiagio que acreditava que servir ao próximo é o caminho mais bonito que alguém pode escolher iniciou-se uma trajetória marcada pela dedicação à vida, à solidariedade e à transformação social.

Desde o início, o PROJETO SER MAIS, abraçou com ternura uma causa nobre: acolher crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade, oferecendo não apenas assistência, mas oportunidades reais de crescimento e dignidade. São anos de trabalho contínuo, enfrentando desafios, vencendo barreiras e celebrando conquistas que nasceram do compromisso de uma equipe que acredita no poder do amor.

O que começou pequeno, cresceu e se consolidou como referência de cuidado, acolhimento e transformação nas regiões onde estão locadas. Cada criança/adolescente encontra não apenas um espaço físico, mas um lar de afeto, escuta e esperança. Com as nossas atividades descobrem novos caminhos, conseguem sonhar novos sonhos e perceber que o futuro pode ser diferente quando há quem acredite e estende a mão.

A missão deixada por nossa fundadora continua viva em cada gesto de solidariedade, em cada sorriso acolhido e em cada ação realizada. Amar e servir ao próximo nunca foi apenas uma frase bonita. É um princípio que orienta o nosso trabalho diário.

Ao longo desses 25 anos, a instituição se tornou um verdadeiro espaço de convivência e cidadania. Foram criados projetos que promovem o fortalecimento de vínculos familiares, o desenvolvimento de habilidades, o acesso à cultura, à educação e ao esporte. Mais do que números e relatórios, nossa história é feita de pessoas. De vidas que se cruzaram, de histórias que se transformaram e de laços que permanecem.

Celebrar 25 anos é olhar para trás com gratidão e para frente com esperança. É reconhecer o esforço de todos que contribuem para que este projeto se mantenha firme, mesmo diante das dificuldades. É também reafirmar o compromisso de continuar lutando por um mundo mais justo, onde cada criança e adolescente tenha o direito de ser ouvido, respeitado e amado.

A fundadora, com seu exemplo de vida, ensinou que o verdadeiro sentido do trabalho social está em servir com alegria, enxergar no outro a própria humanidade e fazer o bem sem esperar nada em troca. Sua missão continua sendo o alicerce que sustenta cada nova etapa desta caminhada.

Hoje, ao completar 25 anos, celebramos não apenas o tempo, mas o legado. Um legado que inspira, transforma e nos lembra que a solidariedade é a maior força de transformação que existe. Seguimos firmes na missão: amar e servir ao próximo, levando luz, dignidade e esperança a quem mais precisa. E que assim continue sendo, hoje e sempre.

 

 

“CONTEMPLAÇÃO 


Nossa palavra “contemplação” vem do latim cum+templare e recorda que, no tempo dos romanos, os sacerdotes se colocavam dentro do templo, numa situação de envolvimento com (cum) o seu ambiente, para descobrir a vontade dos deuses nos seus auspícios ou augúrios, relacionados com o vôo dos pássaros (auis, mais tarde lido avis) que conseguiam observar pela abertura no teto do templo. Isso pressupunha e favorecia um olhar concentrado e uma busca do sentido divino. Até hoje usamos contemplar para significar um olhar concentrado, por exemplo, na observação de uma flor. E dizemos, também, por exemplo, que um regulamento “contempla” determinada situação, isto é, concentra-se nela, ou a considera. Considerar vem de observar o conjunto (cum) dos astros (sídera) para descobrir uma direção.

O sentido mais estrito de contemplação refere-se a um olhar atento que descobre Deus na presença de suas ações e de suas obras.

Ao pé da letra, contemplar não é orar (de os, oris = boca), nem rezar (de recitare: ler alto ou repetir um texto escrito), mas é um relacionamento excelente com Deus, a quem nós ficamos observando, descobrindo, saboreando. Podemos fazer exercícios de contemplação, mas viver a contemplação é ter essa inclinação para “ver Deus” nos seres e nos acontecimentos.

São Francisco, cujo desejo ardente e apaixonado era ver Deus, a quem descobria em Jesus Cristo, parece ter sido um dos maiores contemplativos da história da humanidade. Aliás, é bom lembrar que todo ser humano tem por natureza o desejo de ver se Deus existe mesmo, de observar onde Ele se encontra ou como Ele vem a nós, ou como podemos nos encontrar com Ele. Mas São Francisco não nos deixou nenhum texto ensinando-nos a contemplar.

Foi através da contemplação que os santos, como Santa Benedita,  se encontraram com o Cristo Esposo e se transformaram nele. Foi um “processo de cristificação”, que precisamos entender melhor.

Santa Benedita era uma contemplativa, que sabia viver intensamente na união com Cristo no meio das atividades de cada dia. Por isso  era contemplativa na ação!

“Com o desejo de imitá-la, olhe, considere, contemple o   esposo, o mais belo entre os filhos dos homens (Sl 44,3) feito por sua salvação o mais vil de todos, desprezado, ferido e tão flagelado em todo o corpo, morrendo no meio das angústias próprias da cruz. Se você sofrer com ele, com ele vai reinar; se chorar com ele, com ele vai se alegrar; se morrer com ele (cf. 2Tm 2,11.12; Rm 8,17) na cruz da tribulação vai ter com ele mansão celeste nos esplendores dos santos (Sl 109,3). E seu nome, glorioso entre os homens, será inscrito no livro da vida (Sl 109,3). Assim, em vez dos bens terrenos e transitórios, você vai ter parte na glória do reino celeste eternamente, para sempre, vai ter bens eternos em vez dos perecíveis, e viverá pelos séculos dos séculos”.

Benedita  condiciona a contemplação a um desejo de imitar Jesus, de seguilo. Mas já o trata como um esposo querido e manda considerar o amor que Ele demonstrou quando sofreu por nós. E mostra que essa contemplação vai trazer uma mudança muito grande à nossa vida, com consequências para os tempos sem fim.

Nesse trecho, ela fala do que acontece com quem chega à união com Jesus.  A importância da contemplação do Cristo kenótico e de uma transformação trabalhada nele.

Esse seguimento de Cristo kenótico = esvaziado a ponto de ser encontrado como um servo – é um elemento importante para explicar o despojamento total de nos mesmas.

 

A oração nos transforma, nos transforma na imagem da Divindade, em um outro Cristo. Quem transforma é Deus, mas contemplar é expor-se à transformação ao olhar de maneira concentrada para Deus (a eternidade, a glória, a substância divina) através de Jesus que põe Deus ao nosso alcance sendo um espelho, um esplendor, uma figura da Divindade. É por causa da transformação – afinal das contas, no único Cristo, porque não há mais do que um – que a contempladora saboreia a doçura escondida. O núcleo do olhar contemplativo  está em se colocar inteira diante de Cristo Esposo até ser transformada nele. É importante observar que a contemplação une ao Esposo, leva ao prazer de partilhar a visão e o amor com o Esposo.

 

 

 

 “Feliz, decerto, é você, que pode participar desse banquete sagrado para unir-se com todas as fibras do coração àquele cuja beleza todos os batalhões bem-aventurados dos céus admiram sem cessar, cuja afeição apaixona, cuja contemplação restaura, cuja bondade nos sacia, cuja suavidade preenche, cuja lembrança ilumina suavemente, cujo perfume dará vida aos mortos, cuja visão gloriosa tornará felizes todos os cidadãos da celeste Jerusalém, pois é o esplendor da glória eterna, o brilho da luz perpétua e o espelho sem mancha (4CtIn 9-14)”.

Neste trecho, aparece outro ponto original da contemplação de Santa Clara: é uma contemplação que transborda de gratidão, a gratidão por chegar a ser unida a Deus, que nos encanta, nos apaixona, restaura, sacia, dá vida, justamente em Jesus, que é seu espelho.

No texto seguinte, Clara desenvolve o que tinha dito no anterior: Jesus é o espelho. Mas ela se espelha nele, ela pode perceber o que falta para ser como ele, é arrastada pelas virtudes pessoais de Jesus. E usando uma linguagem própria do Cântico dos Cânticos, mostra como se revestir de Cristo, do Homem novo.

“Olhe dentro desse espelho todos os dias, ó rainha, esposa de Jesus Cristo, e espelhe nele, sem cessar, o seu rosto, para enfeitar-se toda, interior e exteriormente, vestida e cingida de variedade, ornada também com as flores e roupas das virtudes todas, ó filha e esposa caríssima do sumo Rei. Pois nesse espelho resplandecem a bem-aventurada pobreza, a santa humildade e a inefável caridade, como, nele inteiro, você vai poder contemplar com a graça de Deus.

Preste atenção no princípio do espelho: a pobreza daquele que, envolto em panos, foi posto no presépio! Admirável humildade, estupenda pobreza! O Rei dos anjos repousa numa manjedoura. No meio do espelho, considere a humildade, ou pelo menos a bem-aventurada pobreza, as fadigas sem conta e as penas que suportou pela redenção do gênero humano. E, no fim desse mesmo espelho, contemple a caridade inefável com que quis padecer no lenho da cruz e nela morrer a morte mais vergonhosa (4CtIn 15-23)”.

Ao considerar os momentos mais importantes da vida de Jesus na carne – do presépio até a cruz –, Clara insiste em outro ponto original: sua contemplação é um processo constante, em que a pessoa trabalha com alegria para ser semelhante a Cristo, ou para amar a semelhança que Ele realiza em nós.

Na parte final desse mesmo texto, usando apaixonadamente diversas alusões do Cântico dos Cânticos, Clara chega a pedir “o beijo mais feliz de tua boca”, aquele que, como ensinou São Bernardo, é o próprio Espírito Santo passando entre o beijo dela e o beijo de Jesus como o Espírito Santo é o beijo de amor entre o Pai e o Filho:

“Além disso, contemplando suas indizíveis delícias, riquezas e honras perpétuas, proclame, suspirando com tamanho desejo do coração e tanto amor: Arrasta-me atrás de ti! Corramos no odor dos teus bálsamos (Ct 1,3), ó esposo celeste! Vou correr sem desfalecer, até me introduzires na tua adega (Ct 2,4), até que tua esquerda esteja sob a minha cabeça, sua direita me abrace toda feliz (Ct 2,6), e me dês o beijo mais feliz de tua boca (Ct 1,1) (4CtIn 28-32)”.

É claro que o importante nem é fazer exercícios de contemplação: é estar unido ao Esposo, é ter descoberto e realizado todas as sedes do nosso ser humano. É já ser a esposa que clama com o Espírito, que ela já incorporou totalmente: “Vem, Senhor Jesus, vem!”

Na despedida dessa última carta, ela sublinha o aspecto fundamental da amizade e do amor entre as Irmãs, entre nós todos: nós nos encontramos em profundidade quando nos perdemos na mesma contemplação, na mesma busca de Jesus.

“Posta nessa contemplação, lembre-se de sua mãe pobrezinha, sabendo que eu gravei sua feliz recordação de maneira indelével no meu coração porque você, para mim, é a mais querida de todas” (4CtIn 33-34).

Quem se une ao Esposo na contemplação está construindo sua união com todas as demais pessoas. E a contemplação do Esposo se expressa na capacidade de enxergá-lo nas outras pessoas. E cada pessoa é tanto mais querida quanto mais for possível encontrá-la unida ao Esposo. Por isso, Francisco e Inês de Praga são os maiores amores de Clara.

Características – A contemplação  – na perspectiva esponsal – é de caráter afetivo. Mas, é preciso sublinhar alguns pontos bem específicos: a). é dominada pela gratidão. b). segue um processo de fidelidade. c). transforma na imagem viva de Deus. d). abre-se para a fraternidade e para a Igreja.   Adaptado ( I. M D. P )

 

domingo, 11 de agosto de 2024

 

MES VOCAZIONAL  2024 - BRASIL   

    IRMÃS BENEDITINAS DA PROVVIDENCIA

 

Tema : “Igreja como uma sinfonia vocacional”

Lema: “Pedi, pois, ao Senhor da Messe” (Mt 9, 38).

“A igreja como uma sinfonia vocacional” é o tema, onde cada um de nós que compõe a igreja dá a sua nota, o seu tom para gerar essa grande harmonia que temos que ter no trabalho pastoral, olhando em cada lugar o desempenho da nossa vocação, a vocação para qual Deus nos chama. E o lema deste ano é “Pedi, pois, ao Senhor da Messe, que está no Evangelho de Mateus 9, versículo 38. A nossa tônica, que é o primeiro passo vocacional, é a nossa oração, é o pedido que Deus nos faz para que a gente reze, para que Ele envie trabalhadores para sua Messe”, explica o padre.

Três caminhos para cuidar das vocações :

 A ORAÇÃO

“Ela tem a primazia. E é por isso que a primeira pergunta é: eu rezo pelas vocações? Pois quando entramos no espírito de contemplação e adoração, o Senhor nos transforma e podemos ser um reflexo do amor do Pai para aqueles que encontramos ao longo do caminho, para sermos pessoas novas, radiantes, acolhedoras e alegres. Quando nos tornamos assim, prestamos o primeiro serviço às vocações, porque aqueles que encontramos, especialmente os jovens, são atraídos por nosso modo de ser e pela escolha de vida que fizemos: eles podem ver a luz de Deus refletida em nossos rostos, Sua ternura e Seu amor em nossos gestos, Sua alegria no coração daqueles que se entregaram e se entregam inteiramente a Ele.”

ANÚNCIO E MISSÃO

“Cheguem a todos com a alegria do Evangelho, ajudem as pessoas no discernimento espiritual, dediquem-se à evangelização!”.

Ao final, tratando do espírito missionário, o Papa indicou o terceiro caminho,  melhor modo de levar adiante a missão: “tornando-se capazes de ACOLHER, DE ESCUTAR, DE SE APROXIMAR.”

 

O CARTAZ

 

O cartaz do mês vocacional é inspirado no convite do Papa Francisco para sermos, enquanto Igreja, uma Sinfonia Vocacional, que evoca movimento e leveza, a música e a dança, inspirados pelo próprio Cristo.  

 

Irmão Luiz Carlos Lima, autor da identidade visual, destaca os elementos da obra:

Jesus, é aquele que rege essa grande sinfonia de vocações, dons e carismas. Ele, com seu grande coração, se move a convidar, animar e acompanhar os vocacionados e as vocacionadas em seus mais diferentes chamados. Ao mesmo tempo esse movimento parte da Igreja, mas sai dela, como nos convida o Papa Francisco: para que sejamos uma “Igreja em saída”. Dessa forma, a pauta, utilizada para escrever as partituras musicais, traz em si os vocacionados e vocacionadas como notas musicais, “com todas as vocações unidas e distintas em harmonia e juntas em saída para irradiar no mundo a vida nova no Reino de Deus”. (Papa Francisco)  

A circularidade e os círculos que compõem a imagem, falam da fraternidade e da saída de modelos até então “enquadrados” por diversas leis, passando para as possibilidades de movimentos mais circulares, horizontais, sem dobras, mas inteiro e partindo de um único ponto: Jesus Cristo e o Reino.  

O coração exposto de Jesus faz menção ao recente Ano Vocacional que a Igreja no Brasil vivenciou. Este coração que arde e que faz os nossos pés se colocarem a caminho, em uma Igreja em que a cultura vocacional seja cada vez mais cultivada. 


O telhado abaixo da torre
quer simbolizar a casa, lugar da família, igreja doméstica, pois “na Igreja, somos todos servos e servas, segundo diversas vocações, carismas e ministérios. A vocação ao dom de si próprio no amor, comum a todos, desenvolve-se e concretiza-se na vida dos cristãos leigos e leigas, empenhados a construir a família como uma pequena igreja doméstica”. (Papa Francisco) 

O relógio evoca a hora dedicada a Nossa Senhora

(18h). Ela que é a vocacionada por excelência, também nos convida a entrar nessa sinfonia. As pessoas, apresentadas na partitura, traz representações das mais diversas expressões de vocações: laical, ministérios ordenados e vida consagrada.  

A arte convida o leitor a entrar nessa melodia, a sentir e a confirmar que sua vocação não é apenas uma nota ou um tom isolado, mas sim, parte de uma grande Sinfonia.

Uma só canção, um só coração, um só corpo em Cristo (cf. I Cor 12,12). 

 

Irmã Pilar Sanz

 

 

domingo, 19 de maio de 2024

 

PENTECOSTES, 
A VINDA DO ESPÍRITO SANTO!

 


IRMÃS BENEDITINAS DA PROVIDENCIA- GAMA- BRASIL

Movidos pelo Espírito Santo!

Missionários autênticos.

Mantra :  Confiemo-nos ao Senhor, Ele é justo e tão bondoso. Confiemo-nos ao Senhor, aleluia. Canto inicial : Vem Santo Espírito, consolador, aviva a chama do nosso amor!


Os galhos conseguem sobreviver sem o tronco??
Leitura Bíblica:( Atos 2,1-4)

Nós somos como esses galhos, precisamos sempre do alimento que nos é fornecido pelo nosso “tronco” que é Jesus Cristo.A seiva da planta, que é a energia que a faz viver, se reproduzir e dar frutos, para nós é o Espírito Santo. O Espírito Santo é que nos enche de vida, ( saiba),  coragem, alegria para vivermos como cristãos.

 

- O Espírito Santo se manifestou na história cristã através de vários símbolos: vento, nuvem e luz, óleo, pomba, fogo, pomba, mão e água.

O Espírito Santo é Deus, é uma pessoa da Trindade. Que é um mistério profundo e muito bonito.

O Espírito surge como vento sobre os Apóstolos reunidos no Cenáculo simbolizando que é Ele quem “sopra” em nós as boas idéias, nos recorda os ensinamentos de Jesus.

 Espírito Santo dai-nos os teus dons : fortaleza, ciência, piedade, entendimento, sabedoria, temor de Deus, fortaleza!

– Leia  Gálatas  5,22-23 e ensiná-los os 12 frutos do Espírito Santo: caridade, alegria, paz, paciência, longanimidade, bondade, benignidade, mansidão, fidelidade, modéstia, continência, castidade.

-Presença do Espírito Santo no Batismo.

A Igreja nasceu no Espírito. Ela é movida, sustentada, guiada por Ele. Enfim, sem o Espírito Santo fica difícil pensar em Igreja, assim também nos membros dela. Nós não podemos e não conseguiremos viver sem o sopro do Espírito.    

 Um autêntico missionário necessita da presença e da ação do Espírito Santo! Como missionários salesianos, encontramos nosso modelo e fonte no próprio coração de Cristo, missionário  do Pai, fazemos nossa experiência junto aos pequenos e pobres e todas as pessoas que Ele a nós enviar. Cultivamos a união com Deus, consciente da necessidade de rezar sem interrupção em diálogo simples e cordial com Cristo e toda a Igreja. Buscamos na atitude dos apóstolos, que conquistam com a alegria e o dom de si, a solicitude para pregar, curar, salvar e o desejo de reunir os filhos dispersos na unidade da comunhão fraterna.

   Lectio Divina (Lc 24,44-52)

1ª Deus fala ao meu coração através das pessoas, sinais no cotidiano e quando ouço as Sagradas Escrituras?

2ª “O Cristo sofrerá e ressuscitará dos mortos ao terceiro dia, e no seu nome será anunciada a conversão, para o perdão dos pecados, a todas as nações”. O que eu tenho feito para a concretização desta realidade anunciado por Jesus?

3ª A ação do Espírito Santo dá coragem, alegria e disposição para os discípulos anunciarem o Compromisso do dia (motivação para a vivência da virtude)

 4ª Como missionário autêntico, rezarei por uma necessidade que venho percebendo na comunidade e farei um gesto concreto para contribuir com e que viram e ouviram, o Espírito Santo tem espaço para agir na minha vida e através de mim?

                          

Compromisso :

 

 

**Procure uma plantinha observe os  tronco e galhos ;descreva o que ver ? e se  separarmos  os galhos do tronco ,o que acontece??

**faça o  caminho para pentecostes : Como? Aqui há sete maneiras para você preparar seu coração para o Pentecostes e ficar mais consciente do trabalho do Espírito na sua vida e no mundo.

1-Descubra a data do seu Batismo e Crisma, e quem foram os seus padrinhos. 

2-Peça ao Espírito Santo para ajudá-lo a examinar seus próprios carismas e dons e orientar o que a vontade de Deus espera de você.

3-Peça ao Espírito Santo para guiá-lo através de um exame de consciência e prepare-se para receber o sacramento da Penitência.

4- Participe  do Tríduo ao Espírito Santo.

5-Deixe o Espírito Santo feliz.  Execute trabalhos de misericórdia corporais ou espirituais em sua casa e/ou comunidade. Reze uma oração ao Espírito Santo.

6-Passe algum tempo agradecendo à Trindade. Uma das maneiras mais fáceis de fazer isso é pegar seu terço e simplesmente dizer: “Obrigado, Deus-Pai” em todas as contas. Depois, “Obrigado, Jesus Cristo, o Filho” em todo o caminho do Rosário e, finalmente, “Obrigado, Espírito Santo” em todas as contas. Faça isso como parte da adoração, se possível. É difícil não se sentir cheio de gratidão quando terminar o exercício.

Tenha um excelente Pentecostes!

7-Viva Virtude da Confiança.

 

Irmãs Beneditinas da Providência Gama-DF.

Fone: 996053577

site : irmasbeneditinasgama.org.br

 

domingo, 14 de abril de 2024

 








AS VIRTUDES DE SANTA BENEDITA

Benedita nasceu em 1792, Genova, e desde muito cedo já sentia o chamado de Deus em seu coração. A Caridade era uma de suas virtudes primordiais. Um dia, quando adolescente doou em intenção as almas do purgatório, seus estimados brincos, os quais ela tinha um imenso valor sentimental. Ela ficou muito contente com este gesto.

Vinda de uma família modesta de agricultores, Benedita era muito Religiosa, todas as noites ela reunia com sua família para rezar o terço.

Sensível ela fazia questão de acolher as pessoas com todo carinho, em especial as pessoas que sofreram miséria moral ou espiritual.

Sua Dedicação a Deus era seu dom principal, Benedita casou-se com João Batista Fancinello, porém, logo sublima a vida de casada para servir somente as obras divinas. Benedita queria orar, meditar, fazer penitências. Tudo para dedicar-se unicamente as coisas do Pai Celestial.

Como fazer Penitências era uma das formas que Benedita encontrava para demonstrar sua Humildade perante a Deus e aos irmãos, então ela jejuava durante a quaresma, comia raízes e bolachas e renunciava a vaidade.

Seu dom de anunciar a palavra de Deus crescia cada vez mais dentro de si. Benedita Catequizava as crianças e adolescentes, pois ela acreditava ser necessário levar a palavra de Deus ao coração das pessoas.

Cuidadora, ao contrário de muitas pessoas, ela acolhia com todo o carinho as meninas de rua que vivia de forma imoral. Benedita queria dar uma vida digna a essas mulheres.

Perseverante, apesar de todas as turbulências que enfrentou para levar sua obra adiante, Benedita não desistiu. Sempre renovou seu entusiasmo, sua fé e vontade de expandir o bem. Sua obra era tão maravilhosa que mesmo após sua morte, Benedita continua a fazer o bem. Ela tornou-se Santa e sua obra se perpetuou pelo Brasil e o mundo.

domingo, 19 de março de 2023

 

II) Re-inventar nossa maneira de viver

 

“Quem se apega à sua vida, perde-a”

 

 Texto bíblico:  Jo 12,20-33

 

Estamos chegando no tempo quaresmal; abre-se a porta para a intensa vivência Pascal. Percorremos este caminho vivo de jejum, esmola e oração, centrados na pessoa de Jesus, para aprender d’Ele como viver de maneira mais oblativa, aberta, solidária... Tem sido um caminho de intensidade humana? Temos colocado o tom de nossa fé na direção da Páscoa?

O final da quaresma é tempo de olhar para trás com muita gratidão; tal atitude nos capacita para continuar olhando para frente, subindo com Jesus e seus discípulos a Jerusalém. Sempre há oportunidade para consoli-dar nossa vida e enraizar nossa fé. Não permitamos que continuemos passando o tempo como se nada surpreendente pudesse acontecer!

À luz da Páscoa somos movidos a re-inventar continuamente a nossa vida. Há uma outra forma de vida que subjaz debaixo daquela que levamos cada dia: uma vida mais calma, mais consciente, mais autêntica; uma vida de pequenas coisas, de gestos carregados de ternura, de rotinas habitadas que são vividas como novidade, de silêncios que dançam com as palavras...

“Inventar”, vem da expressão latina “inventio-onis” que significa “encontrar algo” que até agora não se havia descoberto; inventores são aqueles que descobrem algo até então oculto.

Por detrás da pandemia, está sendo oferecida a todos nós uma “mudança de rumo na humanidade”. Estamos sendo forçados a quebrar o ritmo estressante e apressado que levávamos; nosso planeta respira, nossas cida-des estão se purificando de tanta contaminação acumulada; estamos encontrando formas novas de trabalho e de educação escolar; estamos ficando mais sóbrios, contentando-nos com o necessário; temos descoberto outra forma de inter-relação e de mais intensidade no amor...

 

O apelo de Jesus, no evangelho deste domingo, é para “perder” nossa vida, no sentido de não nos apegar de maneira egóica a ela e abrir-nos para recebe uma Vida maior, nossa verdadeira vida, a Vida de Deus em nós. Precisamos nos destravar, abandonar nossas medidas de segurança, libertar-nos do domínio cego do ego, para que possa transparecer o que realmente somos, nossa dignidade mais profunda. Não é o auto-centrar-nos que confere dignidade à existência, mas o des-centrar-nos e deslocar-nos em favor dos outros.

Aquele que “se apega à sua vida”, ou seja, aquele que quer estar bem, não quer ter compromissos, não quer se envolver com as situações exigentes, quer estar à margem da realidade que pede uma presença diferente..., esse “perderá sua vida”. Quê vida mais atrofiada quando se vive bem comodamente, bem tranquilo, bem instalado, bem relacionado politicamente, economicamente, socialmente...!

Mas aquele que, por amor ao Reino, se desinstala, acompanha o povo, se solidariza com o sofrimento do pobre, encarna-se e faz sua a dor do outro... esse “ganhará” a vida. Sua vida transformar-se-á em Vida. Libertam o mundo todos aqueles e aquelas que fazem de suas vidas uma doação, um oferecimento. Assim, se deixam atravessar por Deus, puro Dom de Si, Amor que não se reserva a Si mesmo.

É gratificante fazer memória de tantos homens e mulheres que foram presenças de misericórdia e, à maneira de Jesus, consumiram suas vidas em favor da vida; histórias silenciosas de tantas pessoas que com seu compromisso ajudaram os outros a viver; pessoas que revelaram a paixão por viver em pequenas paciências cotidianas, que entregaram suas vidas sem aparecer nas “redes sociais”, sem vozes que as proclamassem; foram como o fermento silencioso que se dissolve na massa para fazê-la crescer. Pin de Cláudia Amorim Amorim em biblia | Grão de trigo, Grão Pin de Cláudia Amorim Amorim em biblia | Grão de trigo, Grão

 

“Se o grão de trigo não morre”, ou seja, se o ser humano não faz de sua vida um dom para os outros, se ele não investe a sua vida em favor da vida, acaba perdendo-se a si mesmo. Esta é a mensagem radical deste quinto domingo da quaresma: “morrer de vida”, não de morte, morrer fazendo que outros vivam, numa efusão de amor. Trata-se de “morrer de tanto viver”, nas diferentes dimensões da vida: individual, familiar, comunitário, social... Esse é o sentido da Cruz cristã: não é cruz vazia, nem um “peso morto”. É perda que se converte em ganho.

Sabemos que, à medida que nosso ego aumenta, ele se distancia da vida dos outros e só se ocupa em conservar a sua, buscando saciar sua fome devoradora para conquistar, acumular, ser o centro...

Isso lhe faz perder a capacidade de assombrar-se e de deixar-se afetar pela alegria e pela dor dos outros; tudo se converte em meio e instrumento para sua própria gratificação. O auge da afirmação de si mesmo se contrasta com a afirmação de Jesus, vista como aberração humana: “aquele que se apega à sua vida, perde-a”.  Qual é a pérola de grande valor que se oculta nesta afirmação? Onde nos quer conduzir Jesus?

 

 

É um fato central de nossa existência que a própria vida, por mais valiosa que seja, não se encontra sob nosso controle. Então precisamos nos soltar, deixar de apegar-nos a nós mesmos, abrir as mãos, abandonar nossa auto-afirmação, para que Deus possa entrar e atuar livremente em nosso interior.

Jesus recorre a uma brevíssima parábola, para fundamentar isso. Só o grão de trigo que morre dá muito fruto. Esta parábola apresenta mais uma vez, e de outro modo, a lição fundamental do Evangelho inteiro, o ponto máximo da mensagem de Jesus: o amor oblativo, o amor que se entrega a si mesmo, e que nesse perder-se a si mesmo, nesse morrer a si mesmo, gera a vida.

O ser humano se caracteriza por ser capaz de amar, por ser capaz de sair de si mesmo e entregar sua vida ou entregar-se a si mesmo por amor. A humanização ou hominização seria esse “descentramento” de si mesmo, que é centramento nos demais e no amor. A parábola do grão de trigo que morre expressa o ponto máximo dessa maturação da Humanidade; tanto é verdade que pode ser considerada como uma expressão do cume do amor. No fundo, esta parábola equivale ao mandamento novo: “Este é o meu mandamento, que vos ameis uns aos outros como eu vos amei; não há maior prova de amor que dar a vida” .

 

As palavras de Jesus têm também aqui a pretensão de síntese: aí se encerra toda a mensagem do Evangelho. E, na realidade, aí se encerra também toda mensagem religiosa, pois também as outras religiões chegaram a descobrir o amor, a compaixão, a solidariedade, o “des-centramento” de si como a essência da religião.

Jesus é a expressão máxima da humanidade que busca e deixa emergir o melhor que há em seu interior.

A vida é constantemente chamada a ser Páscoa. Porque na vitória da Vida entregue, a vida ganha sentido, avança, como uma torrente que rega terras secas, ávidas de água, como um fogo que, na noite mais escura, traz uma luz que permite vislumbrar a vida oculta.

A vida não se conta pelas respirações, mas pelos momentos de assombro, de alegria e encantamento. Ela tem a dimensão do milagre e carrega no seu interior o destino da ressurreição.

A vida, desde o mais íntimo da pessoa humana, deseja ser despertada e vivenciada em plenitude. A certeza de nossa fé em Cristo morto e ressuscitado nos ajuda a ir tirando do coração os medos, os impulsos egoístas de busca de segurança e imortalidade, e ir encontrando uma paz profunda que nos permita fazer de nossa vida uma oferenda gratuita para a vida de outros.